MST e MPA denunciam incêndio criminoso no Acampamento União, em Ponto Novo

De acordo com a coordenação do acampamento, essa intimidação traz prejuízos não apenas às famílias acampadas, mas para toda população da região e ao eco sistema regional.

today28 de novembro de 2017

 

Do Voz do Movimento

Na noite deste último domingo (26), o Acampamento União, localizado numa área abandonada da empresa Sito Barreiras, em Ponto Novo, no norte da Bahia, foi incendiado.

A área é ocupada por 100 famílias do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que denunciam o caráter criminoso do incêndio, cujo objetivo, segundo as organizações é coibir a luta, intimidar os trabalhadores e obrigar a saída das famílias.

As chamas só foram contidas pelos acampados com auxílio do corpo de bombeiros da cidade de Senhor do Bonfim, município vizinho, e ninguém ficou ferido. Porém, na manhã desta segunda-feira (27) novas áreas foram incendiadas e o fogo começou atingir a produção agrícola das famílias e a reserva ambiental.

De acordo com a coordenação do acampamento, essa intimidação traz prejuízos não apenas às famílias acampadas, mas para toda população da região e ao eco sistema regional.

A área de 2 mil hectares foi ocupada no dia 16 de outubro, durante a Jornada Nacional de Lutas em defesa da Reforma Agrária, que mobilizou milhares de famílias Sem Terra em todo Brasil.

Na Bahia, com a ocupação da área, o MST reivindicou uma pauta antiga junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que vai desde o processo de desapropriação de áreas históricas à garantia de direitos básicos nos assentamentos, como estradas, crédito para produção e assistência técnica.

Paralelo a isso, o processo de desapropriação do Sítio Barreira foi parte fundamental da pauta de reivindicação, que neste caso, foi construída pelas famílias do MST e do MPA. O Incra já foi notificado sobre a ocupação da área e as famílias aguardam um retorno do órgão do público para dá início aos tramites burocráticos, como vistoria e emissão de laudos.

Mesmo diante dos incêndios, que visam intimidar a luta pela terra na localidade, as famílias continuam resistindo e sem previsão de saída.