Lançado em São Paulo Coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática

O objetivo do grupo será ir além do debate e discussão de estratégias para defender o título de Patrono da Educação de Paulo Freire, que vem sofrendo pressão de grupos conservadores para que seja revogado no Senado Federal.

today11 de outubro de 2017

 

Por Revista Fórum
Foto: Reprodução

Foi lançado, em São Paulo, o Coletivo Paulo Freire por uma Educação Democrática. O coletivo, encabeçado pela deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), conta com o apoio de pensadores, educadores e pessoas ligadas aos movimentos na defesa da Educação. O objetivo do grupo será ir além do debate e discussão de estratégias para defender o título de Patrono da Educação de Paulo Freire, que vem sofrendo pressão de grupos conservadores para que seja revogado no Senado Federal.

O Coletivo Paulo Freire, que também conta com a participação de Nita Freire, viúva de Paulo Freire, pretende fazer frente ao avanço do conservadorismo e do retrocesso que tem dominado a pauta nacional, desde o golpe impetrado em 2016, contra uma presidente legitimamente eleita e que encontra na figura de Paulo Freire, por seu compromisso primordial com a emancipação das classes trabalhadoras, e desejando-lhe a revogação do título de Patrono da Educação Brasileira, o rompimento com as bases estruturantes para a construção de uma sociedade livre, emancipadora e humana.

A iniciativa de revogar o título de Paulo Freire foi lançada por Stefanny Papaiano, blogueira e ativista digital ligada a grupos de extrema direita, por meio de uma consulta popular on-line – abrigada na página “Ideia Legislativa”, do portal do Senado Federal – cujo objetivo é a cassação do título de “Patrono da Educação Brasileira” conferido ao mestre Paulo Freire; as propostas disponíveis nessa página do Senado, ao receberem mais de 20 mil apoiamentos, tornam-se “sugestões legislativas” para serem debatidas pelos senadores. A consulta popular que visa a cassação do título de Paulo Freire já ultrapassa esse número.

O enfrentamento se dará no âmbito do Congresso Nacional, mas também será feito nas ruas, junto à sociedade e com o apoio do povo.

Quem é Rogério Marinho (PSDB/RN)?

O deputado Rogério Marinho – que foi relator do desastroso projeto da Reforma Trabalhista – tem se dedicado, nas últimas semanas, na promoção de uma iniciativa não menos impiedosa: tirar de Paulo Freire o título de Patrono da Educação, cuja homenagem, prestada pelo povo brasileiro a um dos maiores mestres da educação do Brasil e do mundo, se deu na forma da Lei nº 12.612/12, de autoria da deputada Luiza Erundina.

Rogério Marinho afirma, por meio de um artigo divulgado em suas redes sociais, que a educação brasileira é, por concepção, ruim e precária, sob o fraco argumento de que o sistema de ensino sofre uma negativa e permanente influência do que ele chama de “demagogia política”. O parlamentar atribui ao professor Paulo Freire, (a quem se refere no título de seu artigo como “Patrono do Fracasso”) e seu método de alfabetização, a responsabilidade pela “doutrinação marxista” instalada nas metodologias de ensino. É difundida por ele a ideia de que “abandonou-se a pedagogia para a formação de militantes”, como sendo um dos motivos pelos quais a educação do país apresenta baixos índices se comparada com outras nações.

Soma-se a essa iniciativa do parlamentar, a violenta campanha do movimento Escola Sem Partido, que conta com ampla e voluntária participação dos segmentos mais reacionários da sociedade.

 

*Editado por Leonardo Fernandes