Escola Luana Carvalho recebe Estágio de Vivência Interdisciplinar

O EIVI contou com a participação de 200 estudantes, distribuídos em diversas regiões da Bahia.

today5 de fevereiro de 2018

 

Do Voz do Movimento

Entre os dias 13 e 31 de janeiro, a Escola Técnica de Agroecologia Luana Carvalho, localizada no Assentamento Josiney Hipolito, em Ituberá, baixo sul baiano, recebeu estudantes universitários durante o Estágio de Vivência Interdisciplinar e Intervenção (EIVI) realizado pelo Núcleo de Estudos e Prática em Políticas Agrárias (NEPPA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O Estágio é uma ferramenta pedagógica construído pelo Núcleo de Estudos, em parceria com movimentos e organização populares do campo, em especial, o MST. A iniciativa é apoiada por professores da universidade e estudantes de diversos cursos.

Na prática, o estágio tem levado o corpo discente da universidade à vivência dos assentamentos, acampamentos e comunidades rurais. A ideia é que cada participante entenda como o processo da luta, produção e relações se estabelecem nessas comunidades. Para isso, é necessário garantir uma imersão desses sujeitos no dia a dia das famílias que residem nas localidades.

Na Escola Luana Carvalho, diversas atividades foram realizadas, entre elas, um muralismo, mutirões para construção de banheiros e atividades de trabalho de base nos assentamentos Margarida Alves, Lucas Dantas e, no próprio, Josiney Hipolito.

Muralismo na Escola Luana Carvalho.

Obede Guimarães, da coordenação da escola, diz que o EIVI submete os participantes a um processo educativo de vivência em outros espaços. “Os estagiários, aqui na escola, participaram de atividades junto com as famílias assentadas, contribuindo na construção de um projeto político para escola. Isso é um passo importante par garantir, não apenas um objeto de sistematização e organização da luta pedagógica, mas influencia diretamente na formação desses jovens estudantes”, explica Guimarães.

Imersão e chamado

De acordo Natana Coelho (23), estagiária, o EIVI foi um processo de imersão e, ao mesmo tempo, um chamado. “Imersão, porque saí de uma realidade urbana e ‘babilônica’ para conhecer o contexto da luta agrária, que é muito intensa na Bahia. Foi um chamado, porque a participação respondeu várias questões que eu tinha, algo que buscava há tempos no campo da educação popular”.

“O EIVI foi um processo de imersão e, ao mesmo tempo, um chamado”, afirma Natana Coelho.

Ela conta também, que ser acolhida por um assentamento do MST, em uma vivência, é inexplicável. “Estar com pessoas que estão em constante luta […] e receber o melhor delas, é algo que transcende a explicação verbal. É da ordem do sentir mesmo. Fora que a possibilidade de estar neste lugar de luta e poder trocar experiência me enche de sonhos também”, pontua Coelho.

Neste ano, o EIVI contou com a participação de 200 estudantes, que foram distribuídos em diversas regiões da Bahia, como no Norte, Recôncavo, Baixo Sul e região Metropolitana de Salvador. Com duração de 19 dias nas regiões e comunidades, os estagiários participaram de atividades vivenciadas por cada família, através de uma adoção.

Todos os anos, o NEPPA realiza o estágio e vários estudantes passaram a conhecer a luta pela Reforma Agrária a partir da vivência com as famílias assentadas e acampadas na Bahia. Esse processo tem fortalecido, de maneira direta, os instrumentos pedagógicos, políticos e formativos do MST, como é o caso das escolas do campo, os centros de formação e as comunidades rurais.